Burnon: o que é e por que ele preocupa tanto quanto o Burnout?
A saúde mental no ambiente de trabalho se tornou um dos temas mais discutidos nos últimos anos. E, nesse cenário, um novo fenômeno tem ganhado atenção de líderes e profissionais de RH: o Burnon.
Apesar de ter relação com o Burnout, o Burnon apresenta características próprias, é mais difícil de identificar e costuma afetar profissionais que continuam performando , mesmo enquanto enfrentam um desgaste profundo.
O que você vai ver neste artigo
- O que é Burnout e como ele se manifesta;
- Definição do que é o Burnon e por que ele é mais silencioso;
- As principais diferenças entre Burnout e Burnon;
- Os impactos emocionais e organizacionais dessas condições;
- Ações práticas que o RH pode liderar para prevenção;
- Como criar um ambiente que promova saúde mental;
- Como o Trilhando+ apoia empresas nessa jornada.
Burnout, Burnon e seus desafios
Embora distintos, o Burnout e o Burnon fazem parte de um mesmo enredo: o impacto profundo que a pressão constante, a alta demanda e a dificuldade de estabelecer limites têm sobre a saúde mental dos profissionais.
Para facilitar a compreensão, vamos começar explicando cada um desses fenômenos separadamente:
O que é o Burnout?
A Síndrome de Burnout já é bastante conhecida no mercado de trabalho. Afinal, em 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) oficializou sua classificação como uma doença ocupacional.
Desde então, o Burnout passou a ser definido como uma síndrome causada por um ambiente de trabalho mal gerenciado, que gera um alto nível de estresse. Ela se manifesta em três dimensões principais:
- Sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia;
- Aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho;
- E redução da eficácia profissional.
Em geral, as situações que contribuem para o desenvolvimento desse quadro incluem: sobrecarga de trabalho, cultura organizacional tóxica, falta de reconhecimento, pouca autonomia e suporte insuficiente da liderança.
A Definição do Burnon
Por ser um fenômeno mais recente, o Burnon ainda não é oficialmente reconhecido como uma condição médica.
Ainda assim, ele vem ganhando destaque por descrever um estado de esgotamento emocional e mental que, diferentemente do Burnout, não paralisa a pessoa, mas a mantém em funcionamento constante.
O termo foi criado por especialistas em saúde mental na Alemanha para definir um quadro de fadiga e sofrimento extremos, que não necessariamente evolui para um colapso total, mas que consome lentamente a saúde e o bem-estar do indivíduo.

Então, o que realmente diferencia o Burnout do Burnon?
Burnout: quando o corpo e a mente entram em colapso
Se fosse para resumir em uma metáfora, o Burnout seria como uma explosão: chega um momento em que o corpo e a mente não aguentam mais e tudo entra em colapso. Nesse estágio, a pessoa costuma apresentar sinais claros de esgotamento, queda de desempenho e dificuldade de continuar executando suas atividades.
Burnon: a hiperprodutividade silenciosa
Já o Burnon pode ser comparado a uma chama constante. A pessoa continua “queimando por dentro” dia após dia, sem pausas, mantendo a produtividade mesmo diante de um desgaste profundo. Diferentemente do Burnout, aqui não há paralisação imediata, o funcionamento segue, ainda que à custa da saúde mental e emocional.
A romantização do excesso de trabalho
No Burnon, é comum haver negação do problema e até uma visão romantizada da hiperprodutividade. Muitas pessoas se orgulham de estar sempre ocupadas, respondem mensagens fora do expediente e sentem culpa ao descansar, como se desacelerar fosse sinal de fraqueza ou falta de comprometimento.
Os riscos do desgaste contínuo
Embora, à primeira vista, esse comportamento possa parecer positivo para algumas empresas, o desgaste contínuo cobra um preço alto. Com o tempo, o Burnon pode desencadear consequências sérias para a saúde física e mental, como ansiedade crônica, insônia e, em muitos casos, evoluir para um quadro de Burnout.
Por que esse cenário exige atenção do RH
Enquanto o Burnout tende a ser mais visível, o Burnon é silencioso e, por isso, mais difícil de identificar. Justamente por manter a pessoa em movimento, ele pode passar despercebido até que os impactos se tornem mais graves, o que reforça a importância de ações preventivas e de um olhar atento por parte do RH.
O RH pode prevenir?
Ainda que se manifestem de maneiras diferentes, a prevenção do Burnout e do Burnon passa por estratégias em comum.
O RH, é claro, tem um papel fundamental nesse processo, já que é um dos principais agentes na promoção do bem-estar e da saúde mental das pessoas colaboradoras.
Dito isso, aqui estão seis ações que o setor pode liderar:
1. Avaliação das cargas de trabalho
Avaliar regularmente a distribuição das tarefas e metas é um dos primeiros passos para evitar a sobrecarga e, consequentemente, o esgotamento profissional.
Nesse sentido, o RH deve atuar em parceria com as lideranças para garantir que o volume de trabalho esteja compatível com a capacidade da equipe e que os prazos sejam realistas.
2. Desenvolvimento de lideranças empáticas
Segundo o relatório “Mental Health at Work: Managers and Money”, da UKG, os gestores e líderes têm mais influência sobre a saúde mental das pessoas colaboradoras do que cônjuges, médicos e terapeutas.
Ou seja, para prevenir o Burnout e o Burnon, o RH não pode atuar sozinho: é preciso capacitar a liderança para identificar sinais de esgotamento, reconhecer o esforço da equipe, conduzir conversas transparentes e adotar uma postura acolhedora.
3. Valorização das pausas e do tempo livre
Cultuar a produtividade excessiva é o caminho mais rápido para levar as pessoas colaboradoras ao esgotamento físico e emocional.
Para evitar esse cenário, é preciso promover uma cultura que valorize o equilíbrio entre desempenho e bem-estar, por meio de ações como:
- Incentivo a pequenas pausas ao longo do dia;
- Respeito ao horário de almoço;
- Reforço ao direito à desconexão fora do expediente;
- Estímulo ao uso completo das férias e folgas.
4. Acompanhamento contínuo do bem-estar
Não basta agir apenas quando “a bomba já estourou”.
Monitorar o clima organizacional e a saúde mental da equipe de forma contínua, por meio de pesquisas internas, conversas individuais e análise de indicadores, pode ajudar o RH a identificar padrões de sobrecarga e agir rapidamente.
5. Acesso facilitado a apoio psicológico
Lidar com questões de saúde mental por conta própria não é fácil – além de, em muitos casos, também não ser suficiente para resolver o problema.
Ao oferecer suporte emocional, a empresa contribui para que as pessoas colaboradoras desenvolvam ferramentas para lidar com suas emoções, desafios e limitações de forma mais saudável.
Isso pode ser feito, por exemplo, por meio de programas de assistência e convênios com psicólogos.
6. Criação de um ambiente de escuta e confiança
Permitir que pessoas expressem dificuldades sem medo de julgamentos ou retaliações é essencial para combater o silêncio que acompanha o Burnon e antecede o Burnout.
O RH pode ser um agente ativo nessa construção, incentivando práticas como:
- Feedbacks 360° e reuniões one-on-one;
- Rodas de conversa sobre saúde mental;
- Criação de canais anônimos de escuta.

O Caminho para um Ambiente de Trabalho Saudável
Consolidar as ações acima pode levar tempo. Mas, para iniciar uma transformação real e sustentável na cultura organizacional, é preciso dar o primeiro passo.
Ao criar ambientes mais equilibrados, as empresas não só previnem o Burnout e o Burnon, como também constroem equipes mais resilientes, criativas e engajadas.
O Trilhando+, da METARH, está ao seu lado para tornar essa missão mais fácil. Oferecemos suporte na revisão e criação de políticas internas, no desenvolvimento de talentos e na implementação de práticas mais inclusivas.
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