Quiet Hiring: entenda o fenômeno da contratação silenciosa
Depois de movimentos como “A Grande Renúncia” e o “Quiet Quietting” gerarem uma reflexão profunda sobre a forma como a gestão de pessoas vinha sendo conduzida pelas empresas, uma nova tendência passou a fazer parte desta equação: o quiet hiring.
A contratação silenciosa, como também é conhecida, se apresenta como uma resposta para a atual crise de escassez de talentos. Na prática, ela propõe uma nova forma de as empresas adquirirem habilidades, sem precisar necessariamente contratar novos funcionários.
Ficou curioso (a) para saber como essa abordagem funciona e por que ela pode ser vantajosa para a sua organização? Então siga em frente com a leitura!
O que é quiet hiring
No final de 2022, o quiet hiring foi apontado pela Gartner como uma das nove tendências do futuro do trabalho para 2023. Desde então, os gestores de pessoas passaram a olhar com mais atenção para essa nova forma de manter talentos.
Segundo definição do glossário de RH da própria consultoria, o quiet hiring – ou contratação silenciosa, na tradução para o português – é a prática de uma organização adquirir novas habilidades sem contratar novos funcionários em tempo integral.
Essa abordagem possibilita que as empresas atendam estrategicamente às necessidades de negócios urgentes e imediatas, a partir de três estratégias principais:
- Atribuindo novas funções para pessoas colaboradoras que já fazem parte do quadro de funcionários;
- Expandindo as responsabilidades dos funcionários existentes por meio de oportunidades de expansão e qualificação;
- Contratando profissionais temporários para executar tarefas específicas.
É importante dizer que as iniciativas acima podem ser adotadas tanto individualmente quanto de forma combinada. Mas, de modo geral, todas elas cumprem com o objetivo de preencher as lacunas de competências que estão sendo atualizadas em uma velocidade cada vez maior.

Como colocar o quiet hiring em prática
Um dos grandes focos do quiet hiring é a qualificação do pessoal que já faz parte do time, oferecendo a eles novas oportunidades de desenvolvimento e crescimento na empresa.
Justamente por isso, essa é uma tendência que caminha de mãos dadas com outros dois conceitos que ganharam espaço dentro do RH de uns anos pra cá: o Reskilling e o Redeployment.
O Reskilling ou requalificação, em português, é o nome dado à aquisição de novas habilidades ou aprimoramento das habilidades existentes por parte dos funcionários e funcionárias – movimento que se torna ainda mais necessário em meio à transformação digital e às demais mudanças que o mercado de trabalho vem enfrentando.
Geralmente, as empresas que investem em programas de reskilling o fazem para ajudar as pessoas colaboradoras a se adaptarem às novas demandas do trabalho e conseguirem desempenhar suas funções com mais eficácia.
O Redeployment, por sua vez, é a prática de mover trabalhadores internamente dentro da organização para atender a novas necessidades de pessoal ou preencher lacunas de habilidades.
Ou seja: ao invés de dispensar pessoas colaboradoras cujas funções estão se tornando obsoletas ou buscar por novos profissionais no mercado, as empresas optam por redesenhar suas equipes e funções para aproveitar ao máximo os talentos já existentes.
Esse é um trabalho que também pode envolver transferir pessoas colaboradoras para departamentos ou funções onde suas habilidades sejam mais úteis e relevantes.
6 vantagens que o quiet hiring pode proporcionar
Quando bem estruturado, o quiet hiring pode trazer vantagens para todos os envolvidos. Confira, a seguir, os principais ganhos associados a essa tendência de contratação para empresas e profissionais.
Vantagens para as empresas
- Adaptabilidade
O grande atrativo do quiet hiring é permitir que as empresas se adaptem rapidamente a mudanças nas demandas de competências sem, necessariamente, ter que buscar por novos talentos para preencher essas lacunas.
Como consequência, isso as torna mais ágeis na resposta a necessidades emergentes do mercado. Afinal, aproveitar os talentos que já fazem parte do time é mais rápido do que atrair, recrutar e treinar pessoas novas.
- Redução de custo
A contratação de profissionais temporários para executar tarefas específicas também faz parte do quiet hiring. Essa abordagem em particular pode resultar em economias significativas, especialmente quando as necessidades de competências são temporárias.
Além disso, todas as estratégias de quiet hiring desoneram as organizações dos custos associados à contratação de pessoal regular.
- Retenção de talentos
Oferecer oportunidades de desenvolvimento e crescimento para os funcionários e funcionárias atuais tem tudo para aumentar a satisfação deles no trabalho. Afinal, essa é uma prática que reforça que a organização valoriza o time.
Considerando que profissionais satisfeitos tendem a permanecer por mais tempo na empresa, podemos dizer que o quiet hiring também favorece a retenção de talentos valiosos.
Vantagens para as pessoas colaboradoras
- Oportunidades de Desenvolvimento
Quando as estratégias de quiet hiring são conduzidas de maneira responsável, os trabalhadores têm a chance de adquirir novas habilidades e expandir seu conjunto de competências, o que pode melhorar suas perspectivas de carreira a longo prazo.
Além disso, como mencionamos acima, profissionais que têm a oportunidade de crescer se sentem mais felizes e realizados no trabalho.
- Variedade de Experiência
Participar de diferentes projetos e funções também pode proporcionar uma ampla gama de experiências. Isso, por sua vez, torna as pessoas colaboradoras mais versáteis e valiosas para o mercado de trabalho de um modo geral.
- Estabilidade
Por fim, a prática de quiet hiring também aumenta as chances de os profissionais se manterem empregados, mesmo em períodos de mudança.
De modo geral, essa conduta proporciona uma sensação de segurança para os trabalhadores. Mas ela vai além: na medida em que a pessoa colaboradora se mostra bem sucedida na nova função ou assume mais responsabilidades, ela aumenta suas chances de conseguir uma promoção futura ou um aumento salarial.

Em um cenário de constante mudança e transformação no mundo dos negócios, o quiet hiring desponta como uma abordagem que permite que as empresas se ajustem de maneira mais inteligente e mantenham uma força de trabalho comprometida e adaptável.
No entanto, é essencial que as organizações apliquem essa prática com cuidado e ética, equilibrando as necessidades do negócio e o bem-estar das pessoas colaboradoras. Afinal, a ideia da contratação silenciosa não é sobrecarregar o time com novas atribuições, mas sim aproveitá-los de maneira mais estratégica.
Quer continuar por dentro das principais tendências de RH? Então cadastre-se em nossa newsletter. Assim, você será avisado sempre que postarmos novos conteúdos!

